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Dia 25/05 -Viagem ao evento Universidade Aberta- UFSCar - São Carlos
Dia 01/06- Viagem a São Paulo- Museu do Futebol e Catavento Cultural Educacional
Não deixem de participar!!!!!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Autogestão
Os diretores, superintendentes, gerentes e supervisores têm de ser cada vez mais responsáveis por seus postos de trabalho (e pelos postos dos trabalhadores), não só para “ver” problemas, resolvê-los e decidir quais as soluções mais adequadas às situações de mudanças. Manter-se no posto de trabalho ficará cada vez mais complicado para quem não souber o que está acontecendo. A mudança vem subrepticiamente, às vezes silenciosa como uma serpente caminhando para dar o bote.Neste assunto, o que se chama hoje de competência é a capacidade de entender que as condições de produtividade são cada vez mais marcadas pela exigência de qualidade, pela modernidade e pela competitividade.As empresas precisam assumir as mudanças: isto significa que não só seus executivos, mas todos os trabalhadores, têm de pensar como empresários. A melhoria da qualidade da formação, mesmo em cursos ad hoc, isto é, preparados para o desempenho de funções específicas, geralmente novas, desde que focados no desenvolvimento das potencialidades cognitivas. A maior segurança no emprego hoje em dia é investir no potencial de adaptabilidade e empregabilidade, o que é algo totalmente diferente do que normalmente se faz.Por trás da empregabilidade escondem-se perfis de aquisição necessários à manutenção dos postos de trabalho, e todos esses perfis dependem de fatores cognitivos emanados dos conhecimentos que os executivos devem ter.O investimento que o executivo fizer em si mesmo determinará seu nível de empregabilidade. A distinção entre os candidatos a postos de trabalho, e há uma fila atrás de cada um que está empregado, é hoje feita em termos cognitivos, quem tem maior capacidade de aprender a aprender e aprender a reaprender para ir se adaptando às novas exigências.O profissional que quiser manter-se no mercado em condições de competir terá de fazer um grande esforço para enriquecer-se como recurso humano.Cada executivo deve fazer a si mesmo a pergunta: “Qual é meu potencial de empregabilidade, hoje? É daqui a seis meses? Daqui a um ano? Como evitar que a resposta seja aterradora? A resposta é: pelo desenvolvimento das funções cognitivas.Muitos executivos partem da noção falsa de que dispõem de funções cognitivas desenvolvidas para aprender e reaprender. Eles precisam, em primeiro lugar, extrair das informações, dos conteúdos com que lidam, processos e estratégias cognitivas.Ficar fora do mercado provoca o sentimento de rejeição – um dos piores que o ser humano pode sentir -, além do sentimento de culpa por não ter-se adaptado a tempo. Além do mais, quem se prepara para o imprevisível não tem o sentimento de medo, hoje muito espraiado no ambiente empresarial.Pode-se avaliar o efeito aterrador do coquetel preparado com o medo, o sentimento de culpa e o fantasma da rejeição.
(Fonte: Professor Luiz Machado, Ph.D.Cientista Fundador da Cidade do Cérebro Mentor da Emotologia)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Características do Romantismo

Individualismo
Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos.
Subjetivismo
O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião parcelar, dada por um individuo que baseia sua perspectiva naquilo que as suas sensações captam.
Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra.
O eu é o foco principal do subjetivismo, o eu é egoísta, forma de expressar seus sentimentos.
Idealização
Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é uma virgem frágil, o índio é um herói nacional, e a pátria sempre perfeita. Essa característica é marcada por descrições minuciosas e muitos adjetivos.
Sentimentalismo Exacerbado
Praticamente todos os poemas românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre uma vida.
O romântico analisa e expressa a realidade por meio dos sentimentos. E acredita que só sentimentalmente se consegue traduzir aquilo que ocorre no interior do indivíduo relatado.
Emoção acima de tudo.
Egocentrismo
Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.
Natureza interagindo com o eu lírico
A natureza, no Romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do ano, como formas de passagens, à tempestades, ou dias de muito sol. Diferentemente do Arcadismo, por exemplo, que a natureza é mera paisagem. No Romantismo, a natureza interage com o eu-lírico.A natureza funciona quase como a expressão mais pura do estado de espírito do poeta.
Grotesco e sublime
Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo que visa a idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição. Como exemplo, temos o conto de A Bela e a Fera, no qual uma jovem idealizada, se apaixona por uma criatura horrenda.
Medievalismo
Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo de retratar as culturas de seu país. Esses poemas se passam em eras medievais e retratavam grandes guerras e batalhas.
Indianismo
É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone para a origem nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade européia.
Byronismo
Inspirado na vida e na obra de Lord Byron, poeta inglês. Estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo e sexo, podendo estar representado no personagem ou na própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela angústia.
Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes definida por emoções e sentimentos.
Subjetivismo
O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião parcelar, dada por um individuo que baseia sua perspectiva naquilo que as suas sensações captam.
Com plena liberdade de criar, o artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a temática sempre retomada em sua obra.
O eu é o foco principal do subjetivismo, o eu é egoísta, forma de expressar seus sentimentos.
Idealização
Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é uma virgem frágil, o índio é um herói nacional, e a pátria sempre perfeita. Essa característica é marcada por descrições minuciosas e muitos adjetivos.
Sentimentalismo Exacerbado
Praticamente todos os poemas românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o sentimento do poeta, suas emoções e são como o relato sobre uma vida.
O romântico analisa e expressa a realidade por meio dos sentimentos. E acredita que só sentimentalmente se consegue traduzir aquilo que ocorre no interior do indivíduo relatado.
Emoção acima de tudo.
Egocentrismo
Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.
Natureza interagindo com o eu lírico
A natureza, no Romantismo, expressa aquilo que o eu-lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do ano, como formas de passagens, à tempestades, ou dias de muito sol. Diferentemente do Arcadismo, por exemplo, que a natureza é mera paisagem. No Romantismo, a natureza interage com o eu-lírico.A natureza funciona quase como a expressão mais pura do estado de espírito do poeta.
Grotesco e sublime
Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo que visa a idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição. Como exemplo, temos o conto de A Bela e a Fera, no qual uma jovem idealizada, se apaixona por uma criatura horrenda.
Medievalismo
Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de seu próprio país. Na Europa, eles acharam no cavaleiro fiel à pátria um ótimo modo de retratar as culturas de seu país. Esses poemas se passam em eras medievais e retratavam grandes guerras e batalhas.
Indianismo
É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone para a origem nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem" (Jean-Jacques Rousseau), segundo o qual a sociedade corrompe o homem e o homem perfeito seria o índio, que não tinha nenhum contato com a sociedade européia.
Byronismo
Inspirado na vida e na obra de Lord Byron, poeta inglês. Estilo de vida boêmio, voltado para vícios, bebida, fumo e sexo, podendo estar representado no personagem ou na própria vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo pessimismo, pela angústia.
Iracema- José de Alencar (1ª Série Ensino Médio- Avaliação Bimestral)
INTRODUÇÃO
Um dos mais belos romances da nossa literatura romântica, Iracema é considerado por muitos “um poema em prosa”. A trágica história da bela índia apaixonada pelo guerreiro branco é contada por José de Alencar com o ritmo e a força de imagens próprios da poesia. Em Iracema, José de Alencar construiu uma alegoria perfeita do processo de colonização do Brasil e de toda a América pelos invasores portugueses e europeus em geral. O nome Iracema é uma anagrama da palavra América. O nome de seu amado Martim remete ao deus greco-romano Marte, o deus da guerra e da destruição. O autor demonstra, já a partir do título, um evidente trabalho de construção de uma linguagem e de um estilo que possam melhor representar, para o leitor, “a singeleza primitiva da língua bárbara”, com “termos e frases que pareçam naturais na boca do selvagem”. O livro foi publicado em 1865 e, em pouco tempo, agradou tanto aos leitores quanto aos críticos literários, a começar pelo jovem Machado de Assis, então com 27 anos, que escreveu sobre Iracema no Diário do Rio de Janeiro, em 1866: “Tal é o livro do Sr. José de Alencar, fruto do estudo e da meditação, escrito com sentimento e consciência… Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro…Espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima.”
A LENDA E A HISTÓRIA
O livro, subtitulado Lenda do Ceará, conta a triste história de amor entre a índia tabajara Iracema, a virgem dos lábios de mel e Martim, primeiro colonizador português do Ceará. Além disso, como resume Machado de Assis, o assunto do livro é também a história da fundação do Ceará e o ódio de duas nações inimigas (tabajaras e pitiguaras). Os pitiguaras habitavam o litoral cearense e eram amigos dos portugueses. Os tabajaras viviam no interior e eram aliados dos franceses. José de Alencar recorreu a circunstâncias históricas, como a rixa entre os índios tabajaras e pitiguaras e utilizou personagens reais, como Martim Soares Moreno e o índio Poti, que depois viria a adotar o nome cristão de Antônio Felipe Camarão. Mas cercou-os de uma fértil imaginação e de um lirismo próprios da poesia romântica. A heroína idealizada Iracema é filha de Araquém, pajé da tribo tabajara, e deve manter-se virgem porque “guarda o segredo da jurema e o mistério do sonho. Sua mão fabrica para o Pajé a bebida de Tupã”. Um dia, Iracema encontra, na floresta, Martim, que se perdera de Poti, amigo e guerreiro pitiguara com quem havia saído para caçar e agora andava errante pelo território dos inimigos tabajaras. Iracema leva Martim para a cabana de Araquém, que abriga o estrangeiro: para os indígenas, o hóspede é sagrado. O momento em que Martim encontra Iracema revela a idealização romântica em seu grau mais elevado: “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto. Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá , as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão. Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.” Note-se que o narrador seguidas vezes compara Iracema à natureza exuberante do Brasil. E a virgem leva sempre vantagem. Seus cabelos são mais negros e mais longos, seu sorriso mais doce, seu hálito mais perfumado, seus pés mais rápidos. Iracema é apresentada por um narrador que, embora se apresente na terceira pessoa, é claramente emotivo e apaixonado. Retrata-a, portanto, como a síntese perfeita das maravilhas da natureza cearense, brasileira e americana. Iracema é muito mais do que uma mulher. Não anda, flutua. Toda a natureza rende-lhe homenagem: da acácia silvestre aos pássaros, como o sabiá e a ará. A heroína é o próprio espírito harmonioso da floresta virgem. A harmonia rompida O narrador deixa clara a ruptura nesse harmoniosa relação de Iracema com o seu meio ao apresentar o surgimento de Martim: "Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta". A vista de Iracema perturba-se, impossibilitada de decodificar essa estranha aparição de uma etnia que lhe é desconhecida. José de Alencar retrata, assim, o processo de estranhamento e fascínio mútuo que dominou o encontro dos dois povos. Começavam a se conhecer, sem sequer suspeitar as trágicas conseqüências do encontro para os indígenas. A sedução Enquanto esperam a volta de Caubi, o irmão de Iracema que reconduziria o guerreiro branco às terras pitiguaras, Iracema se apaixona por Martim, mas não pode se entregar a ele, porque, como afirma o Pajé, “se a virgem abandonou ao guerreiro branco a flor de seu corpo, ela morrerá…” Uma noite, Martim pede à Iracema o vinho de Tupã, já que não está conseguindo resistir aos encantos da virgem. O vinho, que provoca alucinações, permitiria que ele, em sua imaginação, possuísse a jovem índia como se fosse realidade. Iracema lhe dá a bebida e, enquanto ele imagina estar sonhando, Iracema “torna-se sua esposa”. É muito importante notar o valor alegórico dessa passagem. Ao “possuir” Iracema, Martim está inconsciente, completamente seduzido e inebriado. Esse gesto há de provocar a destruição da virgem, assim como a invasão do Brasil pelos portugueses há de provocar a destruição da floresta virgem americana. No entanto, assim como Martim não tinha qualquer intenção de provocar a morte de sua amada – o faz por paixão – os destruidores da natureza brasileira o fizeram de forma inconsciente e inconseqüente. A consciência ecológica de Alencar vai muito além da ingênua defesa das nossas matas: percebe com clareza o seu processo de destruição.
O conflito
Martim é ameaçado pelo enciumado chefe guerreiro Irapuã, que quer invadir a cabana de Araquém e matá-lo. Apesar da advertência de Araquém de que Tupã puniria quem machucasse seu hóspede, os guerreiros de Irapuã cercam a cabana, que é protegida por Caubi. Iracema encontra Poti, que está próximo à aldeia dos tabajaras e deseja salvar o amigo. Planejam, então, a fuga de Martim. Durante a preparação dos guerreiros tabajaras para a guerra com os pitiguaras, Iracema lhes serve o vinho da jurema e, enquanto os guerreiros deliram, ela leva Martim e Poti para longe da aldeia. Quando já estão em terras pitiguaras, Iracema revela a Martim que ela agora é sua esposa e deve acompanhá-lo. Entretanto, os tabajaras descobrem que Iracema traíra “o segredo da jurema” e perseguem os fugitivos. Os pitiguaras, avisados da invasão dos tabajaras, juntam-se aos fugitivos e é travado um sangrento combate. Iracema luta ao lado de Martim contra a sua tribo.Os pitiguaras ganham a luta e Iracema se entristece pela morte dos seus irmãos tabajaras.
O exílio Iracema acompanha Martim e Poti e passa a morar com eles no litoral. Durante algum tempo, eles são muito felizes, e a alegria se completa com a gravidez de Iracema. Porém, Martim acaba por “saturar-se de felicidade” e seu interesse pela esposa e pela vida ao seu lado começa a esfriar. Iracema se ressente da frieza do marido e sofre. Martim se ausenta com freqüência em caçadas e batalhas contra os inimigos dos pitiguaras. Enquanto guerreia, nasce seu filho, que Iracema chama de Moacir, que significa “nascido do meu sofrimento, da minha dor”. Iracema dá ao filho o nome indígena correspondente ao nome hebraico Benoni, que também significa “filho de minha dor”. Este é o nome dado por Raquel, mulher do patriarca bíblico Jacó, ao seu último filho. Raquel morre depois de dar à luz. Mas Jacó muda o nome do menino para Benjamim. Os filhos de Jacó dão origem às tribos que formarão a nação Israel, assim como o filho de Iracema representa o início de uma nação. Solitária e saudosa, Iracema tem dificuldade para amamentar o filho e quase não come. Desfalece de tristeza. Martim fica longe de Iracema durante oito luas (oito meses) e, quando volta, encontra Iracema à beira da morte. Ela entrega o filho a Martim, deita-se na rede e morre, consumida pela dor. Poti e Martim enterram-na ao pé do coqueiro, à beira do rio. Segundo Poti: “quando o vento do mar soprar nas folhas, Iracema pensará que é tua voz que fala entre seus cabelos.” O lugar onde viveram e o rio em que nascera o coqueiro vieram a ser chamados, um dia, pelo nome de Ceará. Martim partiu das praias do Ceará levando o filho. Alencar comenta: “O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?” O guerreiro branco volta alguns anos depois, acompanhado de outros brancos, inclusive um sacerdote “para plantar a cruz na terra selvagem”. Começa a colonização e a narrativa termina: “Tudo passa sobre a terra.”
O NARRADOR
O romance é narrado na terceira pessoa, mas o narrador está longe de se manter neutro e mero observador. Abundam os adjetivos reveladores de admiração, principalmente em referência à natureza brasileira e à Iracema. Em alguns momentos o narrador arrebatado chega a revelar-se na primeira pessoa: “O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu.” Tais arroubos justificam-se pela colocação, no início da obra, de que essa é "uma história que me contaram nas lindas vargem onde nasci". Assim, Alencar justifica a intromissão da voz na primeira pessoa em uma obra narrada na terceira.
O INDIANISMO
O índio começou a ser adotado como tema literário no Brasil pelos árcades, principalmente Basílio da Gama – que via o índio como “homem natural”, e Santa Rita Durão – para quem o índio era apenas o “comedor de carne humana, que só o Cristianismo salvaria”.
A busca de uma “poesia americana” Já no Romantismo, o culto do passado e o nacionalismo literário permitiram aos escritores cultivarem a chamada “poesia americana”, que se valia da natureza, da História, de cenas e de costumes nacionais, fórmula em que o Indianismo se adequava perfeitamente. Os escritores mais expressivos do Indianismo, nesse período, foram, na poesia, Gonçalves Dias, com poemas como I-Juca Pirama, Marabá e Leito de Folhas Verdes e, na prosa, José de Alencar, com romances como O Guarani, Iracema e Ubirajara. A corrente indianista foi muito prestigiada e vários poetas tentaram escrever o “poema americano” por excelência, como Gonçalves de Magalhães com o seu poema longo A Confederação dos Tamoios, que originou uma célebre polêmica, em que até o Imperador participou.
A polêmica Alencar foi o protagonista, em 1856, dessa polêmica acalorada sobre o papel do índio na literatura brasileira. O introdutor do romantismo entre nós, o poeta Gonçalves de Magalhães, acabara de publicar um poema épico com temática indianista. Amigo do imperador Dom Pedro II, Magalhães era, de certa forma, o “poeta oficial” do Brasil naquele momento. Em uma série de cartas assinadas com o pseudônimo de Ig., Alencar critica o artificialismo do tratamento do índio dado por Gonçalves de Magalhães que, segundo ele, “não está à altura do assunto”. Saem, em defesa do poeta, vários amigos seus, entre eles o próprio imperador Dom Pedro II. A polêmica se desdobra do início de junho ao final de outubro de 1856. Podemos mesmo perceber, em alguns pontos das cartas, que Alencar já pensava em abordar a temática nos seus futuros escritos, associando-a ao elogio da terra brasileira: “Digo-o por mim: se algum dia fosse poeta, e quisesse cantar a minha terra e suas belezas, se quisesse compor um poema nacional, pediria a Deus que me fizesse esquecer por um momento as minhas idéias de homem civilizado. Filho da natureza, embrenhar-me-ia por essas matas seculares; contemplaria as maravilhas de Deus, veria o sol erguer-se no seu mar de ouro, a lua deslizar-se no azul do céu; ouviria o murmúrio das ondas e o eco profundo e solene das florestas.” Mas não seria através da poesia que Alencar haveria de “cantar a minha terra e suas belezas”. Ainda na polêmica sobre A Confederação dos Tamoios, ele critica o uso de gêneros poéticos clássicos para descrever o índio brasileiro:
“Escreveríamos um poema, mas não um poema épico; um verdadeiro poema nacional, onde tudo fosse novo, desde o pensamento até a forma, desde a imagem até o verso. A forma com que Homero cantou os gregos não serve para cantar os índios; o verso que disse as desgraças de Tróia e os combates mitológicos não pode exprimir as tristes endeixas do Guanabara, e as tradições selvagens da América. Por ventura não haverá no caos incriado do pensamento humano uma nova forma de poesia, um novo metro de verso?” Desde as primeiras páginas de Iracema, fica claro que o seu autor procura colocar essas idéias em prática. Alencar adota o gênero do romance, mas o faz com um cuidado na construção das imagens e com a musicalidade da linguagem que levaram críticos como Machado de Assis a considerá-lo mais um “poema em prosa” do que propriamente um romance. E levaram Haroldo de Campos a afirmar que: “O maior poeta indianista (o único plenamente legível hoje…) foi um prosador: José de Alencar.” Seguindo a trilha aberta por Augusto Meyer, que já havia observado: “Bastaria Iracema para consagrá-lo o maior criador da prosa romântica, na língua portuguesa, e o maior poeta indianista.”
Desdobramentos No parnasianismo, o índio aparece raramente – um exemplo é o poema A Morte de Tapir, de Olavo Bilac – e simplesmente desaparece na poesia simbolista. O Modernismo volta ao tema e o utiliza às vezes como ponto de referência para diretrizes estéticas, como no caso da Poesia “Pau-Brasil” e da Antropofagia de Oswald de Andrade, com a questão “tupi or not tupi”. Algumas obras aproveitaram o tema do índio e suas lendas, como Macunaíma, de Mário de Andrade, Cobra Norato de Raul Bopp ou Martim Cererê, de Cassiano Ricardo. Iracema e Macunaíma O crítico Cavalcanti Proença demonstrou no Roteiro de Macunaíma as diversas relações de semelhança entre Macunaíma (1928), de Mário de Andrade, e Iracema. Entre essas destacam-se as semelhanças entre as personagens de Iracema e de Ci, a mãe do mato: "Ci aromava tanto que Macunaíma tinha tonteiras de moleza" (M.A.) -- "Todas as noites a esposa perfumava seu corpo e a alva rede, para que o amor do guerreiro se deleitasse nela (J. A.). É a rede de cabelos que torna a Mãe do Mato inesquecível, e é uma rede que Iracema oferece ao guerreiro branco: -- "Guerreiro que levas o sono de meus olhos, leva a minha rede também. Quando nela dormires, falem em tua alma os sonhos de Iracema" (J.A.) Ambas …não têm leite. O de Ci foi a cobra preta que sugou; em Iracema o leite não chegava ao seio, diluído nas lágrimas de saudade. "A jovem mãe suspendeu o filho à teta; mas a boca infantil não emudeceu. O leite escasso não apojava o peito" (J. A.). Em Macunaíma, o filho do herói "chupou o peito da mãe no outro dia, chupou mais, deu um suspiro envenenado e morreu".
IRACEMA VOANDO HOJE
A permanência de Iracema no universo cultural brasileiro é incontestável. Uma das manifestações artísticas que perpetuam a imagem da virgem dos lábios de mel, mesmo que nem sempre tão virgem ou idealizada, é a música popular brasileira contemporânea. Vejamos dois exemplos de compositores populares que recorrem à imagem alencariana para compor suas canções:
Iracema voou
Chico Buarque/1998
Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá
Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita
Me liga a cobrar: -- É Iracema da América
Nessa canção, Chico Buarque de Holanda atualiza a lenda do Ceará, apresentando Iracema como uma emigrante que vai para a América (lembrando o anagrama de Alencar), seguindo assim, a sina do primeiro cearense, Moacir. Já Eduardo Dusek e Luiz Carlos Góes, na canção abaixo, vão desmontar a figura idealizada de Alencar, transportando a índia para o mundo atual, em que prevalecem a corrupção e a marginalidade nada românticas.
A índia e o traficante
Eduardo Dusek / Luiz Carlos Góes /1986
Noite malandra, um luar de espelho,
No meio da terra a índia colhe o brilho,
Som de suor, cheirada musical,
Palmeira que se verga em meio ao vendaval.
Sentia macia floresta,
Bolívia, montanha, seresta...
Índia guajira já colheu sua noite
Volta para a tribo meio injuriada,
Uma figueira numa encruzilhada
Felina, um olho de paixão danada,
Era Leão, famoso traficante,
Um outdoor, bandido elegante,
Que a levou para um apart-hotel
Que tem em Cuiabá.
Índia, na estrada, largou a tribo
Comprou um vestido, aprendeu a atirar,
Índia virada, alucinada pelo cara-pálida do Pantanal,
Índia guajira e o traficante Loucos de amor, trocavam o seu mel,
Era um amor tipo 45,
E tiroteios rasgando o vestido,
Em quartos de motel.
Explode o amor, adiós para o pudor,
Guajira e o traficante passam a escancarar,
Rolam papéis, nos bares, nos bordéis,
Os dois de Bonnie and Clyde, assunto dos cordéis,
Maíra, pivete, amazônia,
Esqueceu Tupã, a sem-vergonha...
Dentro de um Cessna, bebendo champagne Leão e seu bando a fazem sua chefona,
Índia fichada, retrata falada,
A loto esperada pelos federais,
Mas ela gosta de fotografia
E vira capa dos jornais do dia,
Enquanto espera uma tonelada da pura alegria.
Índia, sujeira, foi dedurada
Por um sertanista que era amigo seu,
Índia traída – “mim tô passada” –
Ela lamentava num mal português,
A Índia, deu um ganho, num Landau negro,
Chapa oficial, que era da Funai,
Passou batido pela fronteira,
Uma rajada de metralhadora... Morta no Paraguai!
Vida e Obra de José de Alencar
Alma brasileira
José de Alencar nasceu em 1829, apenas sete anos depois da Independência do Brasil, em Mecejana, no Ceará. Filho de um ex-padre, que se tornou presidente da Província do Ceará e Senador do Império, o jovem Alencar se transfere, com a família, aos nove anos de idade para a cidade do Rio de Janeiro. Em 1844, aos quinze anos, matricula-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo. Lê, então, o recém publicado romance A Moreninha, cujo sucesso em muito há de influenciá-lo na decisão posterior de se tornar romancista. Em São Paulo, Alencar cursa os primeiros anos da Faculdade de Direito e começa a publicar seus primeiros textos em algumas revistas estudantis. Transfere-se, em 1848, para a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco. Em Olinda, na velha biblioteca do Mosteiro de São Bento, encontra a literatura dos antigos cronistas coloniais, como Gabriel Soares de Sousa e Pero Magalhães Gandavo. Anos mais tarde, Alencar ainda se recorda da emoção que foi a descoberta desses autores do século XVI, que nos dão as primeiras impressões dos europeus ao encontrarem a natureza e o índio do Brasil, em cujas páginas já procurava um tema para desenvolver em sua própria literatura: “Uma coisa vaga e indecisa, que devia parecer-se com o primeiro broto do Guarani ou de Iracema, flutuava-me na fantasia. Devorando as páginas dos alfarrábios de notícias coloniais, buscava com sofreguidão um tema para o meu romance; ou pelo menos um protagonista, uma cena e uma época.” Voltando a São Paulo, após contrair tuberculose, forma-se em Direito no final de 1850. No ano seguinte, retorna à capital do país e lá começa a advogar. Não se esquece, porém, da literatura. Em 1854, começa a escrever uma seção diária no Correio Mercantil, intitulada Ao Correr da Pena, em que comenta os mais variados assuntos da vida do Rio de Janeiro e do país. Esses textos leves de temática cotidiana podem ser considerados os precursores da crônica moderna, em que se haveriam de destacar, no século seguinte, escritores como Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade. Em 1855, Alencar é um dos fundadores do jornal O Diário do Rio de Janeiro, do qual é editor-chefe. É através desse jornal que vai publicar os textos que, logo, o tornarão conhecido em todo o país. No final do ano de 1856, Alencar decide publicar um folhetim como “brinde” aos leitores do jornal. Inicia, assim, sua carreira de romancista. Publica o curto romance Cinco Minutos, que é recebido por seus leitores com grande simpatia. Estimulado pelo sucesso do primeiro, logo começa a publicar um segundo romance, A Viuvinha, cuja publicação interrompe quando, por engano, um companheiro seu publica o final da história na Revista de Domingo. Inicia, então, a publicação de O Guarani. Surge, assim, na literatura nacional, uma nova “estrela colorida brilhante” – lembrando as palavras de Caetano Veloso na canção Um Índio. Uma estrela que há de escrever, “numa velocidade estonteante”, os capítulos do romance do qual descerá um índio “mais avançado que a mais avançada das mais avançada das tecnologias” - o apaixonado Peri. Entre 1857 e 1870, além de publicar diversos romances, entre eles Lucíola (1862) e Iracema (1865), Alencar foi eleito várias vezes deputado, Ministro da Justiça entre 1868 e 1870, e dedicou-se também ao teatro, escrevendo O Demônio Familiar (1857), As Asas de um Anjo (1858) e A Mãe (1860), entre outras peças. Em 1870, abandona a política, ressentido, após ser preterido para a vaga de Senador. Inicia, então, uma fase de recolhimento: poucos amigos e nenhum sorriso. Sua produção novelística é intensificada, agora norteada pelo projeto de descrição do Brasil, anunciado no prefácio do livro Sonhos d'Ouro (1872). Em 1875, publica Senhora, um de seus romances mais complexos. Ao morrer, em 1877, Alencar era considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Principalmente por Machado de Assis, seu amigo e mais fiel admirador, e que logo o destronaria. Para Machado: “Nenhum escritor teve em mais alto grau a alma brasileira.” O próprio Alencar aponta que seus romances se encaixam em um projeto de descrição global do Brasil. Divide-os em quatro tipos:
Romance urbano, como Lucíola e Senhora.
Romance regionalista, como O Gaúcho e O Sertanejo.
Romance indianista, como Iracema e Ubirajara.
Romance histórico, como O Guarani e As Minas de Prata.
A crítica posterior haveria de relativizar esta classificação. Tanto Iracema quanto O Guarani são considerados ao mesmo tempo históricos e indianistas.
Um dos mais belos romances da nossa literatura romântica, Iracema é considerado por muitos “um poema em prosa”. A trágica história da bela índia apaixonada pelo guerreiro branco é contada por José de Alencar com o ritmo e a força de imagens próprios da poesia. Em Iracema, José de Alencar construiu uma alegoria perfeita do processo de colonização do Brasil e de toda a América pelos invasores portugueses e europeus em geral. O nome Iracema é uma anagrama da palavra América. O nome de seu amado Martim remete ao deus greco-romano Marte, o deus da guerra e da destruição. O autor demonstra, já a partir do título, um evidente trabalho de construção de uma linguagem e de um estilo que possam melhor representar, para o leitor, “a singeleza primitiva da língua bárbara”, com “termos e frases que pareçam naturais na boca do selvagem”. O livro foi publicado em 1865 e, em pouco tempo, agradou tanto aos leitores quanto aos críticos literários, a começar pelo jovem Machado de Assis, então com 27 anos, que escreveu sobre Iracema no Diário do Rio de Janeiro, em 1866: “Tal é o livro do Sr. José de Alencar, fruto do estudo e da meditação, escrito com sentimento e consciência… Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro…Espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima.”
A LENDA E A HISTÓRIA
O livro, subtitulado Lenda do Ceará, conta a triste história de amor entre a índia tabajara Iracema, a virgem dos lábios de mel e Martim, primeiro colonizador português do Ceará. Além disso, como resume Machado de Assis, o assunto do livro é também a história da fundação do Ceará e o ódio de duas nações inimigas (tabajaras e pitiguaras). Os pitiguaras habitavam o litoral cearense e eram amigos dos portugueses. Os tabajaras viviam no interior e eram aliados dos franceses. José de Alencar recorreu a circunstâncias históricas, como a rixa entre os índios tabajaras e pitiguaras e utilizou personagens reais, como Martim Soares Moreno e o índio Poti, que depois viria a adotar o nome cristão de Antônio Felipe Camarão. Mas cercou-os de uma fértil imaginação e de um lirismo próprios da poesia romântica. A heroína idealizada Iracema é filha de Araquém, pajé da tribo tabajara, e deve manter-se virgem porque “guarda o segredo da jurema e o mistério do sonho. Sua mão fabrica para o Pajé a bebida de Tupã”. Um dia, Iracema encontra, na floresta, Martim, que se perdera de Poti, amigo e guerreiro pitiguara com quem havia saído para caçar e agora andava errante pelo território dos inimigos tabajaras. Iracema leva Martim para a cabana de Araquém, que abriga o estrangeiro: para os indígenas, o hóspede é sagrado. O momento em que Martim encontra Iracema revela a idealização romântica em seu grau mais elevado: “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto. Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá , as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão. Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.” Note-se que o narrador seguidas vezes compara Iracema à natureza exuberante do Brasil. E a virgem leva sempre vantagem. Seus cabelos são mais negros e mais longos, seu sorriso mais doce, seu hálito mais perfumado, seus pés mais rápidos. Iracema é apresentada por um narrador que, embora se apresente na terceira pessoa, é claramente emotivo e apaixonado. Retrata-a, portanto, como a síntese perfeita das maravilhas da natureza cearense, brasileira e americana. Iracema é muito mais do que uma mulher. Não anda, flutua. Toda a natureza rende-lhe homenagem: da acácia silvestre aos pássaros, como o sabiá e a ará. A heroína é o próprio espírito harmonioso da floresta virgem. A harmonia rompida O narrador deixa clara a ruptura nesse harmoniosa relação de Iracema com o seu meio ao apresentar o surgimento de Martim: "Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta". A vista de Iracema perturba-se, impossibilitada de decodificar essa estranha aparição de uma etnia que lhe é desconhecida. José de Alencar retrata, assim, o processo de estranhamento e fascínio mútuo que dominou o encontro dos dois povos. Começavam a se conhecer, sem sequer suspeitar as trágicas conseqüências do encontro para os indígenas. A sedução Enquanto esperam a volta de Caubi, o irmão de Iracema que reconduziria o guerreiro branco às terras pitiguaras, Iracema se apaixona por Martim, mas não pode se entregar a ele, porque, como afirma o Pajé, “se a virgem abandonou ao guerreiro branco a flor de seu corpo, ela morrerá…” Uma noite, Martim pede à Iracema o vinho de Tupã, já que não está conseguindo resistir aos encantos da virgem. O vinho, que provoca alucinações, permitiria que ele, em sua imaginação, possuísse a jovem índia como se fosse realidade. Iracema lhe dá a bebida e, enquanto ele imagina estar sonhando, Iracema “torna-se sua esposa”. É muito importante notar o valor alegórico dessa passagem. Ao “possuir” Iracema, Martim está inconsciente, completamente seduzido e inebriado. Esse gesto há de provocar a destruição da virgem, assim como a invasão do Brasil pelos portugueses há de provocar a destruição da floresta virgem americana. No entanto, assim como Martim não tinha qualquer intenção de provocar a morte de sua amada – o faz por paixão – os destruidores da natureza brasileira o fizeram de forma inconsciente e inconseqüente. A consciência ecológica de Alencar vai muito além da ingênua defesa das nossas matas: percebe com clareza o seu processo de destruição.
O conflito
Martim é ameaçado pelo enciumado chefe guerreiro Irapuã, que quer invadir a cabana de Araquém e matá-lo. Apesar da advertência de Araquém de que Tupã puniria quem machucasse seu hóspede, os guerreiros de Irapuã cercam a cabana, que é protegida por Caubi. Iracema encontra Poti, que está próximo à aldeia dos tabajaras e deseja salvar o amigo. Planejam, então, a fuga de Martim. Durante a preparação dos guerreiros tabajaras para a guerra com os pitiguaras, Iracema lhes serve o vinho da jurema e, enquanto os guerreiros deliram, ela leva Martim e Poti para longe da aldeia. Quando já estão em terras pitiguaras, Iracema revela a Martim que ela agora é sua esposa e deve acompanhá-lo. Entretanto, os tabajaras descobrem que Iracema traíra “o segredo da jurema” e perseguem os fugitivos. Os pitiguaras, avisados da invasão dos tabajaras, juntam-se aos fugitivos e é travado um sangrento combate. Iracema luta ao lado de Martim contra a sua tribo.Os pitiguaras ganham a luta e Iracema se entristece pela morte dos seus irmãos tabajaras.
O exílio Iracema acompanha Martim e Poti e passa a morar com eles no litoral. Durante algum tempo, eles são muito felizes, e a alegria se completa com a gravidez de Iracema. Porém, Martim acaba por “saturar-se de felicidade” e seu interesse pela esposa e pela vida ao seu lado começa a esfriar. Iracema se ressente da frieza do marido e sofre. Martim se ausenta com freqüência em caçadas e batalhas contra os inimigos dos pitiguaras. Enquanto guerreia, nasce seu filho, que Iracema chama de Moacir, que significa “nascido do meu sofrimento, da minha dor”. Iracema dá ao filho o nome indígena correspondente ao nome hebraico Benoni, que também significa “filho de minha dor”. Este é o nome dado por Raquel, mulher do patriarca bíblico Jacó, ao seu último filho. Raquel morre depois de dar à luz. Mas Jacó muda o nome do menino para Benjamim. Os filhos de Jacó dão origem às tribos que formarão a nação Israel, assim como o filho de Iracema representa o início de uma nação. Solitária e saudosa, Iracema tem dificuldade para amamentar o filho e quase não come. Desfalece de tristeza. Martim fica longe de Iracema durante oito luas (oito meses) e, quando volta, encontra Iracema à beira da morte. Ela entrega o filho a Martim, deita-se na rede e morre, consumida pela dor. Poti e Martim enterram-na ao pé do coqueiro, à beira do rio. Segundo Poti: “quando o vento do mar soprar nas folhas, Iracema pensará que é tua voz que fala entre seus cabelos.” O lugar onde viveram e o rio em que nascera o coqueiro vieram a ser chamados, um dia, pelo nome de Ceará. Martim partiu das praias do Ceará levando o filho. Alencar comenta: “O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?” O guerreiro branco volta alguns anos depois, acompanhado de outros brancos, inclusive um sacerdote “para plantar a cruz na terra selvagem”. Começa a colonização e a narrativa termina: “Tudo passa sobre a terra.”
O NARRADOR
O romance é narrado na terceira pessoa, mas o narrador está longe de se manter neutro e mero observador. Abundam os adjetivos reveladores de admiração, principalmente em referência à natureza brasileira e à Iracema. Em alguns momentos o narrador arrebatado chega a revelar-se na primeira pessoa: “O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu.” Tais arroubos justificam-se pela colocação, no início da obra, de que essa é "uma história que me contaram nas lindas vargem onde nasci". Assim, Alencar justifica a intromissão da voz na primeira pessoa em uma obra narrada na terceira.
O INDIANISMO
O índio começou a ser adotado como tema literário no Brasil pelos árcades, principalmente Basílio da Gama – que via o índio como “homem natural”, e Santa Rita Durão – para quem o índio era apenas o “comedor de carne humana, que só o Cristianismo salvaria”.
A busca de uma “poesia americana” Já no Romantismo, o culto do passado e o nacionalismo literário permitiram aos escritores cultivarem a chamada “poesia americana”, que se valia da natureza, da História, de cenas e de costumes nacionais, fórmula em que o Indianismo se adequava perfeitamente. Os escritores mais expressivos do Indianismo, nesse período, foram, na poesia, Gonçalves Dias, com poemas como I-Juca Pirama, Marabá e Leito de Folhas Verdes e, na prosa, José de Alencar, com romances como O Guarani, Iracema e Ubirajara. A corrente indianista foi muito prestigiada e vários poetas tentaram escrever o “poema americano” por excelência, como Gonçalves de Magalhães com o seu poema longo A Confederação dos Tamoios, que originou uma célebre polêmica, em que até o Imperador participou.
A polêmica Alencar foi o protagonista, em 1856, dessa polêmica acalorada sobre o papel do índio na literatura brasileira. O introdutor do romantismo entre nós, o poeta Gonçalves de Magalhães, acabara de publicar um poema épico com temática indianista. Amigo do imperador Dom Pedro II, Magalhães era, de certa forma, o “poeta oficial” do Brasil naquele momento. Em uma série de cartas assinadas com o pseudônimo de Ig., Alencar critica o artificialismo do tratamento do índio dado por Gonçalves de Magalhães que, segundo ele, “não está à altura do assunto”. Saem, em defesa do poeta, vários amigos seus, entre eles o próprio imperador Dom Pedro II. A polêmica se desdobra do início de junho ao final de outubro de 1856. Podemos mesmo perceber, em alguns pontos das cartas, que Alencar já pensava em abordar a temática nos seus futuros escritos, associando-a ao elogio da terra brasileira: “Digo-o por mim: se algum dia fosse poeta, e quisesse cantar a minha terra e suas belezas, se quisesse compor um poema nacional, pediria a Deus que me fizesse esquecer por um momento as minhas idéias de homem civilizado. Filho da natureza, embrenhar-me-ia por essas matas seculares; contemplaria as maravilhas de Deus, veria o sol erguer-se no seu mar de ouro, a lua deslizar-se no azul do céu; ouviria o murmúrio das ondas e o eco profundo e solene das florestas.” Mas não seria através da poesia que Alencar haveria de “cantar a minha terra e suas belezas”. Ainda na polêmica sobre A Confederação dos Tamoios, ele critica o uso de gêneros poéticos clássicos para descrever o índio brasileiro:
“Escreveríamos um poema, mas não um poema épico; um verdadeiro poema nacional, onde tudo fosse novo, desde o pensamento até a forma, desde a imagem até o verso. A forma com que Homero cantou os gregos não serve para cantar os índios; o verso que disse as desgraças de Tróia e os combates mitológicos não pode exprimir as tristes endeixas do Guanabara, e as tradições selvagens da América. Por ventura não haverá no caos incriado do pensamento humano uma nova forma de poesia, um novo metro de verso?” Desde as primeiras páginas de Iracema, fica claro que o seu autor procura colocar essas idéias em prática. Alencar adota o gênero do romance, mas o faz com um cuidado na construção das imagens e com a musicalidade da linguagem que levaram críticos como Machado de Assis a considerá-lo mais um “poema em prosa” do que propriamente um romance. E levaram Haroldo de Campos a afirmar que: “O maior poeta indianista (o único plenamente legível hoje…) foi um prosador: José de Alencar.” Seguindo a trilha aberta por Augusto Meyer, que já havia observado: “Bastaria Iracema para consagrá-lo o maior criador da prosa romântica, na língua portuguesa, e o maior poeta indianista.”
Desdobramentos No parnasianismo, o índio aparece raramente – um exemplo é o poema A Morte de Tapir, de Olavo Bilac – e simplesmente desaparece na poesia simbolista. O Modernismo volta ao tema e o utiliza às vezes como ponto de referência para diretrizes estéticas, como no caso da Poesia “Pau-Brasil” e da Antropofagia de Oswald de Andrade, com a questão “tupi or not tupi”. Algumas obras aproveitaram o tema do índio e suas lendas, como Macunaíma, de Mário de Andrade, Cobra Norato de Raul Bopp ou Martim Cererê, de Cassiano Ricardo. Iracema e Macunaíma O crítico Cavalcanti Proença demonstrou no Roteiro de Macunaíma as diversas relações de semelhança entre Macunaíma (1928), de Mário de Andrade, e Iracema. Entre essas destacam-se as semelhanças entre as personagens de Iracema e de Ci, a mãe do mato: "Ci aromava tanto que Macunaíma tinha tonteiras de moleza" (M.A.) -- "Todas as noites a esposa perfumava seu corpo e a alva rede, para que o amor do guerreiro se deleitasse nela (J. A.). É a rede de cabelos que torna a Mãe do Mato inesquecível, e é uma rede que Iracema oferece ao guerreiro branco: -- "Guerreiro que levas o sono de meus olhos, leva a minha rede também. Quando nela dormires, falem em tua alma os sonhos de Iracema" (J.A.) Ambas …não têm leite. O de Ci foi a cobra preta que sugou; em Iracema o leite não chegava ao seio, diluído nas lágrimas de saudade. "A jovem mãe suspendeu o filho à teta; mas a boca infantil não emudeceu. O leite escasso não apojava o peito" (J. A.). Em Macunaíma, o filho do herói "chupou o peito da mãe no outro dia, chupou mais, deu um suspiro envenenado e morreu".
IRACEMA VOANDO HOJE
A permanência de Iracema no universo cultural brasileiro é incontestável. Uma das manifestações artísticas que perpetuam a imagem da virgem dos lábios de mel, mesmo que nem sempre tão virgem ou idealizada, é a música popular brasileira contemporânea. Vejamos dois exemplos de compositores populares que recorrem à imagem alencariana para compor suas canções:
Iracema voou
Chico Buarque/1998
Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá
Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita
Me liga a cobrar: -- É Iracema da América
Nessa canção, Chico Buarque de Holanda atualiza a lenda do Ceará, apresentando Iracema como uma emigrante que vai para a América (lembrando o anagrama de Alencar), seguindo assim, a sina do primeiro cearense, Moacir. Já Eduardo Dusek e Luiz Carlos Góes, na canção abaixo, vão desmontar a figura idealizada de Alencar, transportando a índia para o mundo atual, em que prevalecem a corrupção e a marginalidade nada românticas.
A índia e o traficante
Eduardo Dusek / Luiz Carlos Góes /1986
Noite malandra, um luar de espelho,
No meio da terra a índia colhe o brilho,
Som de suor, cheirada musical,
Palmeira que se verga em meio ao vendaval.
Sentia macia floresta,
Bolívia, montanha, seresta...
Índia guajira já colheu sua noite
Volta para a tribo meio injuriada,
Uma figueira numa encruzilhada
Felina, um olho de paixão danada,
Era Leão, famoso traficante,
Um outdoor, bandido elegante,
Que a levou para um apart-hotel
Que tem em Cuiabá.
Índia, na estrada, largou a tribo
Comprou um vestido, aprendeu a atirar,
Índia virada, alucinada pelo cara-pálida do Pantanal,
Índia guajira e o traficante Loucos de amor, trocavam o seu mel,
Era um amor tipo 45,
E tiroteios rasgando o vestido,
Em quartos de motel.
Explode o amor, adiós para o pudor,
Guajira e o traficante passam a escancarar,
Rolam papéis, nos bares, nos bordéis,
Os dois de Bonnie and Clyde, assunto dos cordéis,
Maíra, pivete, amazônia,
Esqueceu Tupã, a sem-vergonha...
Dentro de um Cessna, bebendo champagne Leão e seu bando a fazem sua chefona,
Índia fichada, retrata falada,
A loto esperada pelos federais,
Mas ela gosta de fotografia
E vira capa dos jornais do dia,
Enquanto espera uma tonelada da pura alegria.
Índia, sujeira, foi dedurada
Por um sertanista que era amigo seu,
Índia traída – “mim tô passada” –
Ela lamentava num mal português,
A Índia, deu um ganho, num Landau negro,
Chapa oficial, que era da Funai,
Passou batido pela fronteira,
Uma rajada de metralhadora... Morta no Paraguai!
Vida e Obra de José de Alencar
Alma brasileira
José de Alencar nasceu em 1829, apenas sete anos depois da Independência do Brasil, em Mecejana, no Ceará. Filho de um ex-padre, que se tornou presidente da Província do Ceará e Senador do Império, o jovem Alencar se transfere, com a família, aos nove anos de idade para a cidade do Rio de Janeiro. Em 1844, aos quinze anos, matricula-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo. Lê, então, o recém publicado romance A Moreninha, cujo sucesso em muito há de influenciá-lo na decisão posterior de se tornar romancista. Em São Paulo, Alencar cursa os primeiros anos da Faculdade de Direito e começa a publicar seus primeiros textos em algumas revistas estudantis. Transfere-se, em 1848, para a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco. Em Olinda, na velha biblioteca do Mosteiro de São Bento, encontra a literatura dos antigos cronistas coloniais, como Gabriel Soares de Sousa e Pero Magalhães Gandavo. Anos mais tarde, Alencar ainda se recorda da emoção que foi a descoberta desses autores do século XVI, que nos dão as primeiras impressões dos europeus ao encontrarem a natureza e o índio do Brasil, em cujas páginas já procurava um tema para desenvolver em sua própria literatura: “Uma coisa vaga e indecisa, que devia parecer-se com o primeiro broto do Guarani ou de Iracema, flutuava-me na fantasia. Devorando as páginas dos alfarrábios de notícias coloniais, buscava com sofreguidão um tema para o meu romance; ou pelo menos um protagonista, uma cena e uma época.” Voltando a São Paulo, após contrair tuberculose, forma-se em Direito no final de 1850. No ano seguinte, retorna à capital do país e lá começa a advogar. Não se esquece, porém, da literatura. Em 1854, começa a escrever uma seção diária no Correio Mercantil, intitulada Ao Correr da Pena, em que comenta os mais variados assuntos da vida do Rio de Janeiro e do país. Esses textos leves de temática cotidiana podem ser considerados os precursores da crônica moderna, em que se haveriam de destacar, no século seguinte, escritores como Rubem Braga, Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade. Em 1855, Alencar é um dos fundadores do jornal O Diário do Rio de Janeiro, do qual é editor-chefe. É através desse jornal que vai publicar os textos que, logo, o tornarão conhecido em todo o país. No final do ano de 1856, Alencar decide publicar um folhetim como “brinde” aos leitores do jornal. Inicia, assim, sua carreira de romancista. Publica o curto romance Cinco Minutos, que é recebido por seus leitores com grande simpatia. Estimulado pelo sucesso do primeiro, logo começa a publicar um segundo romance, A Viuvinha, cuja publicação interrompe quando, por engano, um companheiro seu publica o final da história na Revista de Domingo. Inicia, então, a publicação de O Guarani. Surge, assim, na literatura nacional, uma nova “estrela colorida brilhante” – lembrando as palavras de Caetano Veloso na canção Um Índio. Uma estrela que há de escrever, “numa velocidade estonteante”, os capítulos do romance do qual descerá um índio “mais avançado que a mais avançada das mais avançada das tecnologias” - o apaixonado Peri. Entre 1857 e 1870, além de publicar diversos romances, entre eles Lucíola (1862) e Iracema (1865), Alencar foi eleito várias vezes deputado, Ministro da Justiça entre 1868 e 1870, e dedicou-se também ao teatro, escrevendo O Demônio Familiar (1857), As Asas de um Anjo (1858) e A Mãe (1860), entre outras peças. Em 1870, abandona a política, ressentido, após ser preterido para a vaga de Senador. Inicia, então, uma fase de recolhimento: poucos amigos e nenhum sorriso. Sua produção novelística é intensificada, agora norteada pelo projeto de descrição do Brasil, anunciado no prefácio do livro Sonhos d'Ouro (1872). Em 1875, publica Senhora, um de seus romances mais complexos. Ao morrer, em 1877, Alencar era considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Principalmente por Machado de Assis, seu amigo e mais fiel admirador, e que logo o destronaria. Para Machado: “Nenhum escritor teve em mais alto grau a alma brasileira.” O próprio Alencar aponta que seus romances se encaixam em um projeto de descrição global do Brasil. Divide-os em quatro tipos:
Romance urbano, como Lucíola e Senhora.
Romance regionalista, como O Gaúcho e O Sertanejo.
Romance indianista, como Iracema e Ubirajara.
Romance histórico, como O Guarani e As Minas de Prata.
A crítica posterior haveria de relativizar esta classificação. Tanto Iracema quanto O Guarani são considerados ao mesmo tempo históricos e indianistas.
terça-feira, 23 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
INFORMAÇÃO
Gostaria de compartilhar com vocês a informação divulgada pela Agência Câmara. Está em análise,na Câmara o Projeto de Lei 6068/09, que propõe às escola públicas e privadas oferecer Orientação Educacional aos alunos do Ensino Médio.
Este Projeto de Lei altera a Lei 9394/96 que "estabelece as diretrizes e bases da educação nacional" e acrescenta-lhe o parágrafo sexto do artigo vinte e seis, que dispõe sobre orientação educacional dos alunos do Ensino Médio.
Para maiores informações acesse o link de acesso ao site:
http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/orientacao-profissional-no-ensino-medio-podera-ser-obrigatoria/
Este Projeto de Lei altera a Lei 9394/96 que "estabelece as diretrizes e bases da educação nacional" e acrescenta-lhe o parágrafo sexto do artigo vinte e seis, que dispõe sobre orientação educacional dos alunos do Ensino Médio.
Para maiores informações acesse o link de acesso ao site:
http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/orientacao-profissional-no-ensino-medio-podera-ser-obrigatoria/
Foto da visita dos alunos do terceirão 2009
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
2010- Ano Internacional da Biodiversidade

A história proporciona os antecedentes e explicações adicionais para as mensagens chaves do
Ano Internacional da Biodiversidade 2010. Seu propósito é criar emoção e curiosidade, fazendo
com que as pessoas se interessem por descobrir a biodiversidade e percebam como nós
estamos intimamente relacionados com a mesma, despertando a importância para a sua
proteção.
Você é a Biodiversidade. A maior parte do oxigênio que respira é proveniente do plânction dos
oceanos e das florestas frondosas de todo o mundo.
Provavelmente, as frutas e as verduras que come foram polinizadas por abelhas e a água que
bebe faz parte de um grande ciclo global no qual você está incluído, assim como as nuvens, as
selvas, as geleiras, os rios e todos os oceanos.
Sua alimentação depende quase que por completo das plantas e dos animais que nos rodeiam,
desde os vegetais que nos proporcionam arroz e trigo, até os peixes e a carne de animais de
grande porte, além dos hortifrutigranjeiros. Seu corpo contém por volta de cem bilhões de células
e está conectado com tudo o que o rodeia no mundo exterior através de um maravilhoso e
completo sistema imemorial. Compartilha seus átomos com todos os seres e elementos do
mundo natural, é ancestral e inconcebivelmente jovem ao mesmo tempo. A biodiversidade é a vida; sua vida é a biodiversidade e a biodiversidade é você.
Você compartilha o planeta com treze milhões de espécies vivas distintas, entre elas, se incluem
plantas, animais, bactérias, das quais somente 1,75 milhões possuem um nome e já estão
classificadas; a maior parte, ainda desconhecida. Esta riqueza natural incrível é um tesouro de
incalculável valor, que forma a base fundamental de sua qualidade de vida. Os sistemas e
processos que esses milhões de organismos proporcionam de forma coletiva, produzem seu
alimento, sua água e o ar que você respira: ¾ elementos fundamentais da vida.
Além disso, também proporcionam a madeira e os materiais vegetais para a construção de
móveis, edifícios e combustíveis, os mecanismos que regulam o clima e controlam as
inundações, a reciclagem de seu lixo, componentes radioativos e os produtos químicos com os
quais se fabricam medicamentos. Entretanto, é muito fácil esquecer ou não perceber o óbvio,
pois nossa relação na biodiversidade é tão perfeita e harmoniosa que tudo nos parece uma
unidade única, e desta forma muitas vezes não atentamos para as partes dessa “unidade”.
A contribuição da biodiversidade em sua vida, além de ser prática, física, orgânica e utilitária, é
também cultural. A biodiversidade do mundo natural tem sido uma fonte constante de inspiração
ao longo da história da humanidade. Tem o seu nascedouro em tradições e na forma com que
foram apropriados pelas sociedades, incorporando-se aos serviços básicos, sobre o qual foram
sendo construídos o comércio e a economia. O desaparecimento de espécies únicas é uma
perda incalculável e irreversível que nos deixa muito mais pobres. A perda de espécies icônicas e
simbólicas no solo implica uma tragédia cultural, visto que prejudica nossa própria sobrevivência.
As atividades humanas dependem da bela e abundante diversidade do mundo natural. A
derrubada e a queima das florestas, a eliminação dos manguezais, o cultivo intensivo e o stress
produzido pela contaminação, a pesca predatória e os efeitos das mudanças climáticas estão
destruindo a biodiversidade.
(Fonte:http://www.peaunesco.com.br/)
Trabalho Reconhecido
COOPAM APROVA 60% DOS SEUS ALUNOS NAS MELHORES UNIVERSIDADES DO PAÍS.
A escolha profissional é uma das mais importantes decisões da vida de uma pessoa.
Segundo Richard Bolles, considerado o maior consultor de carreira dos Estados Unidos, a tendência mundial é que as pessoas façam pelo menos duas a três novas escolhas profissionais ao longo da vida.
É provável que as pessoas mudem de escolha e de interesse ao longo de vida e da carreira, pois a escolha profissional não é definitiva e imutável. Muito ao contrário, o mercado de trabalho mostra que ela deve ser flexível e que precisa de constante aprimoramento.
Os alunos da 3ª Série do Ensino Médio da Coopam Objetivo obtiveram êxito na empreitada pela busca do autoconhecimento, dos seus valores essenciais, seus sonhos e oportunidades ocasionando as aprovações nas mais renomadas universidades como a USP, UNESP, UNICAMP, UFU, além das Fundações Municipais de Ensino e universidades particulares de todo o país.
A Coopam se orgulha de sua equipe de professores, funcionários e diretores que sempre buscaram proporcionar educação de qualidade e parabeniza seus alunos pela primeira das muitas conquistas que vivenciarão ao longo de sua trajetória profissional.
Coopam Objetivo
Excelência em Educação
A escolha profissional é uma das mais importantes decisões da vida de uma pessoa.
Segundo Richard Bolles, considerado o maior consultor de carreira dos Estados Unidos, a tendência mundial é que as pessoas façam pelo menos duas a três novas escolhas profissionais ao longo da vida.
É provável que as pessoas mudem de escolha e de interesse ao longo de vida e da carreira, pois a escolha profissional não é definitiva e imutável. Muito ao contrário, o mercado de trabalho mostra que ela deve ser flexível e que precisa de constante aprimoramento.
Os alunos da 3ª Série do Ensino Médio da Coopam Objetivo obtiveram êxito na empreitada pela busca do autoconhecimento, dos seus valores essenciais, seus sonhos e oportunidades ocasionando as aprovações nas mais renomadas universidades como a USP, UNESP, UNICAMP, UFU, além das Fundações Municipais de Ensino e universidades particulares de todo o país.
A Coopam se orgulha de sua equipe de professores, funcionários e diretores que sempre buscaram proporcionar educação de qualidade e parabeniza seus alunos pela primeira das muitas conquistas que vivenciarão ao longo de sua trajetória profissional.
Coopam Objetivo
Excelência em Educação
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O Importante é a Caminhada
O importante na vida não é o ponto de partida, nem a chegada, mas sim a caminhada. Só vivendo, arriscando, tentando, enfrentando obstáculos é que podemos aprender alguma coisa. Só há aprendizagem, só há crescimento onde há conflitos, obstáculos, erros.
Como dizia George Bernard Shaw, "O homem que nunca fez um erro, nunca fará nenhuma outra coisa". O medo de errar faz com que a pessoa deixe de viver e acabe não fazendo nada mais. As pessoas pensam: "É melhor não provar o cálice da alegria, porque, quando este nos faltar, iremos sofrer muito.
Por medo de diminuir, deixamos de crescer. Por medo de chorar, deixamos de rir. Na verdade, o que torna um sonho irrealizável não é o sonho em si, mas a inércia de quem sonha.
O mundo é dos ousados, o mundo é dos corajosos, quem tem medo de arriscar e tentar, acaba nunca conseguindo nada. A maioria das pessoas sonha com o "Jardim do Éden", com a vida perfeita, de conto de fadas, mas nada fazem para que este sonho se torne realidade.
Sua vida só será um conto de fadas se você der chance para o "destino", para que a energia do universo possa "conspirar" por você. Se você fica preso a convenções pré-determinadas por outros, se você não tem opinião própria, se você não é capaz de seguir os seus instintos, sua intuição, seus sonhos, sua vontade, seu coração, sua vida NUNCA será um conto de fadas, e você passará a vida inteira se perguntando por que as coisas extraordinárias só acontecem com os outros.
Estas coisas só acontecem com quem resolve arriscar, descobrir algo novo, libertar-se da vida hipócrita, do auto-engano a que a maioria se submete, os "certinhos" dificilmente sentem o que é estar no jardim do éden, e se chegam perto, acham que algo está errado, que as coisas não podem ser tão boas assim.
A presença de um problema deveria ser encarada com algo positivo, como algo que proporcionasse uma oportunidade de crescimento, de aprendizado e não como um mal, como algo negativo. Vinícius de Moraes dizia : "Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que eu."
Não há atalhos, a teoria é inútil sem a prática, é natural dos seres humanos aprender com a própria experiência, portanto, só quem "vive" evolui, só quem permite errar, tentar, arriscar é que tem o privilégio de dizer que aprendeu alguma coisa na vida.
Como dizia George Bernard Shaw, "O homem que nunca fez um erro, nunca fará nenhuma outra coisa". O medo de errar faz com que a pessoa deixe de viver e acabe não fazendo nada mais. As pessoas pensam: "É melhor não provar o cálice da alegria, porque, quando este nos faltar, iremos sofrer muito.
Por medo de diminuir, deixamos de crescer. Por medo de chorar, deixamos de rir. Na verdade, o que torna um sonho irrealizável não é o sonho em si, mas a inércia de quem sonha.
O mundo é dos ousados, o mundo é dos corajosos, quem tem medo de arriscar e tentar, acaba nunca conseguindo nada. A maioria das pessoas sonha com o "Jardim do Éden", com a vida perfeita, de conto de fadas, mas nada fazem para que este sonho se torne realidade.
Sua vida só será um conto de fadas se você der chance para o "destino", para que a energia do universo possa "conspirar" por você. Se você fica preso a convenções pré-determinadas por outros, se você não tem opinião própria, se você não é capaz de seguir os seus instintos, sua intuição, seus sonhos, sua vontade, seu coração, sua vida NUNCA será um conto de fadas, e você passará a vida inteira se perguntando por que as coisas extraordinárias só acontecem com os outros.
Estas coisas só acontecem com quem resolve arriscar, descobrir algo novo, libertar-se da vida hipócrita, do auto-engano a que a maioria se submete, os "certinhos" dificilmente sentem o que é estar no jardim do éden, e se chegam perto, acham que algo está errado, que as coisas não podem ser tão boas assim.
A presença de um problema deveria ser encarada com algo positivo, como algo que proporcionasse uma oportunidade de crescimento, de aprendizado e não como um mal, como algo negativo. Vinícius de Moraes dizia : "Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos que eu."
Não há atalhos, a teoria é inútil sem a prática, é natural dos seres humanos aprender com a própria experiência, portanto, só quem "vive" evolui, só quem permite errar, tentar, arriscar é que tem o privilégio de dizer que aprendeu alguma coisa na vida.
Um MEIO ou uma DESCULPA?
Por Roberto Shinyashiki
Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes. Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo. O sucesso é construído à noite!Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.Não se compare à maioria, pois, infelizmente ela não é modelo de sucesso.Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp com batatas fritas. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá de trabalhar enquanto os outros tomam Sol à beira da piscina.O mundo não está nem aí, se você está cansado ou triste, ele não para. E quem vive lamentando ou reclamando da vida nunca vai conseguir chegar em lugar nenhum.A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores, pois...Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO. Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA.
Por Roberto Shinyashiki
Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes. Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo. O sucesso é construído à noite!Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.Não se compare à maioria, pois, infelizmente ela não é modelo de sucesso.Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp com batatas fritas. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá de trabalhar enquanto os outros tomam Sol à beira da piscina.O mundo não está nem aí, se você está cansado ou triste, ele não para. E quem vive lamentando ou reclamando da vida nunca vai conseguir chegar em lugar nenhum.A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores, pois...Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO. Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA.
Orientação Profissional
Orientando Caminhos Profissionais ...Porque sempre é tempo de se descobrir,sempre é tempo de fazer e de refazer escolhas...
Realizar escolhas não é tarefa fácil. Mesmo quando uma escolha parece simples e corriqueira, ainda assim o processo é complexo. Porque escolher significa abrir mão de uma série de outras possibilidades não escolhidas; escolher implica na elaboração de um luto. Com uma escolha tão relevante quanto a escolha profissional também é assim - quando optamos por seguir em determinada direção deixamos de lado todas as outras opções que poderiam se abrir diante de nós. É um ganho que sempre envolve perdas. Isto é inevitável. Não é à toa que realizar escolhas seja fonte de conflitos em maior ou menor intensidade. Mobilizado por estes conflitos torna-se ainda mais difícil discriminar para que lado seguir frente a um caminho no qual se descortinam várias possibilidades. O que fazer para não se aprisionar neste impasse? Antes de tudo, compreender a dinâmica envolvida na tomada de decisão. Perceber que o conflito é inerente ao processo, lançando luz a este terreno que pode parecer tão obscuro. Atingir tal compreensão pressupõe refletir sobre alguns aspectos que permeiam o processo de escolha profissional: o que significa fazer uma escolha? Quais os fatores que influenciam a tomada de decisão profissional? Quais as crenças e pré-conceitos envolvidos nesta escolha? Quais os temores e ansiedades que provoca? Quais são as variáveis que podem interferir neste dinâmico processo? A estas perguntas e reflexões somam-se, ainda, outras: quem sou eu? O que eu quero vir a ser? Quais são meus limites e potencialidades? Para onde aponta meu desejo? O seu autoconhecimento, aliado ao conhecimento da realidade sócio-profissional, configura-se o terreno fértil para um processo de tomada de decisão consciente e responsável.
Compreendendo a Escolha Profissional
A escolha profissional é um processo dinâmico em permanente construção, atravessado por conflitos, lutos, ansiedades e angústias, influenciado por diversos fatores internos e externos. Compreender esta complexa dinâmica poderá ajudá-lo a lidar melhor com os eventuais impasses, dúvidas e indecisões.
Como influências (que podem vir a configurar fontes de conflito) destacam-se: os pais, a família de um modo geral, os amigos e o grupo social, o meio sócio-cultural, os processos psíquicos inconscientes, os preconceitos com relação às profissões e suas distorções cognitivas. Há ainda crenças e mitos que dificultam a escolha profissional. Por exemplo, acreditar que a escolha é definitiva e para sempre gera angústia. Mas como pensar na tomada de escolha profissional como uma decisão finalizada em si mesma se nossa personalidade é dinâmica, se nossas preferências e competências mudam de acordo com nossas experiências, se a cada momento da vida podemos perceber que há outras escolhas melhores e mais satisfatórias? Se nós mudamos, por que nossas escolhas não poderiam acompanhar estas mudanças? Ao pensar que a escolha é definitiva, a ansiedade de escolha toma proporções que podem até mesmo imobilizá-lo. O medo de errar na escolha fundamenta-se na fantasia de que exista “a escolha certa”, sendo todas as outras “escolhas erradas”. Na verdade, o que há são possibilidades de escolha – e uma tomada de decisão envolve o conseqüente luto pelas outras possibilidades deixadas de lado.
Outro medo que surge ante a perspectiva de efetuar uma escolha profissional é o medo de não ser capaz de sustentar a escolha e/ou de não ser competente profissionalmente – ansiedade agravada pelas inseguranças próprias de cada um e pelo desconhecido de um mundo novo que se descortina a partir de uma tomada de decisão. É preciso compreender que escolher é um ato de coragem, é uma aposta cujo resultado só se saberá a posteriori.
O que é Escolha Profissional?
Quando pensamos no conflito de escolha profissional, a primeira idéia que nos vem à cabeça é a de um indivíduo – geralmente um adolescente – em dúvida quanto ao vestibular. No entanto, o conflito em escolher uma profissão não é privilégio de quem deseja ingressar em uma faculdade. Durante toda a vida estamos fazendo escolhas. Uma escolha não se encerra em um único momento. É como se estivéssemos sempre nos questionando, abrindo a possibilidade de reafirmar a escolha anterior ou de transformá-la, mudando um pouco nosso caminho. Ou, ainda, abandoná-la de vez em busca de novas possibilidades. E será assim por toda a vida! Em cada etapa da vida este processo será atravessado por particularidades e questionamentos específicos - na vivência do vestibular, na escolha de pós-graduação, na definição de campos de atuação, no direcionamento de carreira, na preparação para aposentadoria,... E as dificuldades vivenciadas muitas vezes podem levá-lo a escolher impulsivamente, a deixar-se influenciar pelas opiniões e desejos de outras pessoas ao seu redor, a abrir mão daquilo que realmente importa para você, etc. São tantas dúvidas, pressões, incertezas...
O que fazer diante disso?
Decidir impulsivamente, "atirar em qualquer direção", deixar de lado seus desejos são armadilhas que resolvem o conflito momentaneamente e apenas de forma ilusória, podendo trazer conseqüências futuras.
Como solucionar efetivamente o impasse? Elaborando seus conflitos e efetuando uma escolha autêntica.
Mas... O que significa isso? O que seria efetuar uma escolha autêntica?
Escolha é uma tomada de consciência.Uma aposta no seu desejo.Um ato de coragem.É discriminar e sustentar um desejo.Comprometer-se com as perguntas: "O que, de fato, eu quero?""O que estou disposto a perder?"É afirmar esse querer: eis o ponto de partida para o seu projeto profissional!
A escolha profissional é um processo
Como acontece a escolha profissional, esta escolha autêntica? Isto não se dá de repente, de um momento pra outro. A escolha não surge, um belo dia, como mágica. A escolha profissional é um processo em permanente construção e se inicia na infância. Desde cedo pensamos no que queremos "ser quando crescer". Isto não ocorre por acaso.
O próprio processo de construção da personalidade e da identidade efetua-se junto ao desenvolvimento vocacional.
E como seria este caminhar que nos leva em direção a uma escolha autêntica, esta escolha que corresponda ao nosso desejo?
Chegamos ao mundo trazendo conosco uma bagagem genética, hereditária, que podemos chamar de APTIDÕES INATAS. Nesta etapa as aptidões são apenas potencialmente habilidades que podem vir a ser desenvolvidas, se houver um contexto favorável a isso.
(1) No desenvolvimento da personalidade vamos nos diferenciando dos outros, nos percebendo como seres únicos e singulares, com características próprias. Isto significa construir nossa IDENTIDADE, elaborando respostas para a questão "quem sou eu?".
(2) Neste caminho, vamos desenvolvendo aptidões através da aprendizagem, delineando nossas competências, respondendo às questões "o que posso fazer?", "sou bom em quê?". Além das novas APTIDÕES APRENDIDAS, esta etapa inclui também o desenvolvimento das tais APTIDÕES INATAS, desde que sejam devidamente estimuladas.
(3) Na busca pela independência, ainda construindo nossa identidade, entram em cena os questionamentos acerca de nossos VALORES, ASPIRAÇÕES e INTERESSES. "O que eu quero da vida?", "de que eu gosto?" são as questões a serem respondidas nesta etapa.
(4) Este caminho culmina no comprometimento profissional, que corresponde à busca de satisfação através do delinear de um PROJETO PROFISSIONAL.
Parte-se do "quem sou eu" para chegar ao "quem serei eu", ou seja, "o que quero vir a ser". Este é o retrato de um "caminho ideal", culminando neste comprometimento naturalmente marcado por escolhas autênticas, conscientes e determinadas. Exposto dessa maneira parece até fácil e simples se engajar em um projeto profissional. E seria simples se a realidade não abrangesse uma série de outros fatores, como as influências internas e externas, as perdas, as crenças instituídas, os temores e ansiedades que incidem permanentemente sobre esse caminho podendo gerar conflitos e dificuldades de escolha. Em todo caso, o principal aqui é ressaltar que a escolha profissional é um processo complexo que se inicia na infância. Portanto, se uma escolha se efetua, culminando no engajamento em um projeto profissional, houve todo um processo anterior, toda uma história de vida e uma construção de identidade que antecederam a esta escolha. As escolhas são sempre resultado deste caminho!
Aos Vestibulandos
Você já sabe o que quer fazer no vestibular? Ou tem dúvidas, incertezas e não consegue se decidir? Sente-se inseguro quanto ao rumo que deseja dar à sua vida profissional? Se este é o seu caso, e você tiver dificuldades em solucionar sozinho suas indefinições, pode ser proveitoso que busque um serviço de Orientação Vocacional. Algumas pessoas atravessam estas dúvidas e conflitos sem necessidade de ajuda especializada – conversando com pessoas próximas e buscando informação profissional. Outras, no entanto, preferem buscar um processo de Orientação Vocacional para refletir sobre suas incertezas, promover um maior autoconhecimento, descobrir suas habilidades, aptidões, valores e interesses, traçando, assim, um projeto profissional consistente e fundamentado.
Provavelmente você deve conhecer outras pessoas que também estão atravessando este mesmo momento: a necessidade de escolha de um curso universitário. Algumas delas provavelmente já se decidiram. Você conhece muitas pessoas que já sabem, com certeza, o que fazer no vestibular? E destas pessoas, quantas escolheram apenas uma profissão? Porque se alguém tem certeza de que quer fazer Biologia, Comunicação e Engenharia Elétrica, isso não resolve muita coisa... Isso não é uma escolha – ainda.
Freqüentemente o problema se resolve da seguinte maneira: inscrevendo-se no vestibular de algumas universidades e para várias carreiras, basta esperar o resultado – aquele em que passar será o curso a seguir. Simples, não? Nem tanto... E se for aprovado em todas as opções? O conflito continua... Pode até ser que a estratégia “dê certo” sendo aprovado apenas em uma das opções. No entanto, o conflito apenas supostamente se resolveu. Por um lado, o que não foi escolhido fica automaticamente decidido. Por outro lado, abre-se mão do privilégio de ser responsável pelo que quer e pelo que faz da sua vida.
Cedo ou tarde todos precisam aprender a ser responsáveis por si mesmos e por suas próprias escolhas – o quanto antes melhor; os efeitos serão positivos. Do contrário, acaba passando no vestibular para Comunicação e um tempo depois descobre que o que realmente queria era Biologia... Por que não cuidar de suas escolhas agora, ao invés de não se responsabilizar, sofrendo as conseqüências depois?
Refletindo sobre a escolha profissional
Se você está em dúvida quanto ao curso que deseja seguir, sem saber o que fazer de sua vida profissional, saiba que você não está sozinho. Há dados estatísticos que mostram que só 5% dos vestibulandos sabem com certeza o que querem fazer no momento do vestibular. Como se isso não bastasse, 40% dos universitários abandonam seus cursos ainda no primeiro ano de faculdade. Estudos mostram que um dos motivos é a insatisfação com a escolha realizada. Estes números são preocupantes. Por que será esta a realidade encontrada? Por que estes números? Vamos esclarecer estas questões aos poucos...
Antes, reflita sobre as algumas perguntas...
1-Você já teve receio de que seus pais ou amigos não aprovem a sua escolha?2-Você já teve medo de não conseguir escolher uma profissão?3-Você já sentiu que é muito cedo para fazer uma escolha que "será para a vida toda"?4-Você já ouviu frases como "não escolha esta profissão, isto não dá dinheiro!" ou "escolha aquela profissão, pois é profissão do futuro!"?5-Você já sentiu que gosta de tantas coisas que torna-se difícil optar por uma apenas?6-Você tem dificuldade em imaginar o que estará fazendo daqui a dez anos?
Você respondeu "sim" a algumas destas perguntas? Pois você já pode começar a perceber uma pequena amostra das dificuldades que incidem sobre a complexa tarefa de definir um projeto profissional. Nestas 6 perguntas já temos alguns exemplos de preconceitos, pressões, influências que interferem nas escolhas – e que acabam gerando diversos conflitos.
Para saber mais sobre os fatores que influenciam a tomada de decisão e ampliar sua compreensão sobre este dinâmico processo continue navegando pelos outros links deste site.
Influências no processo de Escolha Profissional
Quais seriam as influências a que estamos submetidos ao efetuar uma escolha profissional? Algumas advêm do meio externo, outras são mobilizadas por processos psíquicos internos. Ambas são inerentes ao processo de escolha e podem ou não configurar fontes de conflito. Devem, portanto, ser levadas em consideração, já que podem acarretar dificuldades e até mesmo impasses na realização de uma escolha autêntica, de uma escolha que seja fruto do seu próprio desejo. Conheça agora algumas das principais influências no processo de escolha profissional:
* OS PAIS E A FAMÍLIA
Intensas pressões podem vir da família, tanto para que se escolha uma determinada profissão, quanto para que não se escolha outra. As expectativas, os valores e os projetos familiares, por mais bem intencionados que sejam, são como "marcas de um desejo do outro", que incidem sobre nós e influenciam nossas escolhas – explícita ou implicitamente. Muitas vezes, sem nem perceber, nos identificamos com estes desejos, nos misturando e nos embaralhando com eles. Com isso, perdemos um pouco a capacidade de nos diferenciarmos destes "desejos do outro". Discriminar "o que querem de mim" de "o que eu quero para mim" é o caminho a ser buscado. Qual é, de fato, o seu desejo?
* OS AMIGOS E O GRUPO SOCIAL
As pressões do grupo social ao qual fazemos parte também exercem forte influência. Do mesmo modo como ocorre com a família, muitas vezes nos misturamos com o desejo de nossos amigos – o que é natural, pois na constituição de qualquer grupo, o que o mantém unido é um certo sentimento de identidade que muitas vezes pode se confundir com a identidade profissional dos membros do grupo. O receio de não ser aceito pelo grupo em função de uma determinada escolha também pode interferir no processo. Deixar-se levar por esta influência – muitas vezes sem nem se dar conta disso – pode ocasionar conflitos e prejudicar a realização de uma escolha autêntica.* O MEIO SÓCIO-CULTURAL
Também sofremos pressões em função do meio sócio-cultural no qual estamos inseridos. O sistema de valores sócio-cultural dita regras implícitas e explicitas quanto a quais profissões são consideradas fonte de status social e quais são vistas com preconceito. Além disso, é este contexto que determina, em grande medida, o tipo de informação que recebemos – o que vai influenciar fortemente as escolhas realizadas. Isto porque as escolhas se efetuam dentro de um universo minimamente conhecido e, portanto, determinado pelo meio sócio-cultural. Não se escolhe aquilo a que não se teve acesso, que não se sabe que existe. Outra questão relevante como influência direta na escolha profissional são os estímulos que nos levam a desenvolver determinadas aptidões e habilidades, bem como a desenvolver interesse por determinadas áreas. Estes estímulos também são determinados pelo meio em que nos encontramos.* A DINÂMICA DOS PROCESSOS INCONSCIENTES
Ao considerar o inconsciente, leva-se em conta que uma escolha, qualquer que seja esta escolha, não é arbitrária. Há algo de uma "determinação" inconsciente, própria dos processos psíquicos de cada um. Isto se relaciona, inclusive, com os itens anteriores (a família, os pais, os amigos, o grupo social, a cultura) que exercem sua influência também através dos processos inconscientes. Segundo Sigmund Freud, maturidade seria a capacidade de amar e trabalhar. O tema da escolha profissional, para a psicanálise, está atravessado por diversos mecanismos inconscientes como atitudes defensivas e escolhas sintomáticas. Portanto, haja ou não conflito de escolha, estes processos nos atravessam sem que percebamos – até porque são dinâmicas inconscientes. Havendo necessidade, o psicólogo é o profissional capacitado para diagnosticar a atuação de mecanismos inconscientes na origem de suas dificuldades e poderá ajudá-lo a elaborar e a criar novas formas de relação com o conflito da escolha.
Isso significa elucidar os "pontos cegos" nesta dinâmica dos processos inconscientes como forma de possibilitar novos arranjos psíquicos que abram caminho para a realização de uma escolha profissional. Muitas vezes um processo de orientação vocacional é suficiente para proporcionar mudanças na dinâmica psíquica; outras vezes pode ser recomendada a realização de uma psicoterapia. Um psicólogo poderá orientá-lo quanto a isso, se for o caso.
* OS PRECONCEITOS COM RELAÇÃO ÀS PROFISSÕES
Alguns preconceitos se relacionam com crenças instituídas acerca da realidade sócio-profissional como: "tal profissão não dá dinheiro", "não há mercado para aquela profissão", etc. Há ainda outras formas de preconceito, como os relacionados ao gênero feminino ou masculino: "essa profissão é para mulheres; sou homem, não posso fazer isso" ou "não existem mulheres nesta atividade, não vou conseguir me inserir". Trata-se, portanto, de estereótipos, de "pré-conceitos" sobre atividades e profissões. É preciso ter cuidado para não abrir mão de seus desejos em virtude destas influências. Manter o senso crítico e estar sempre atento são bons caminhos para não se deixar influenciar por estereótipos. A cada vez que você notar que já possui juízo formado sobre uma atividade ou profissão, pergunte-se: "minha percepção fundamenta-se em uma análise criteriosa e na construção de uma imagem correspondente à realidade desta profissão, ou estou tomando como verdade um mero estereótipo?"
* O LUTO PELO QUE NÃO FOI ESCOLHIDO
Escolher uma profissão, significar não escolher todas as outras. Muitas vezes o que está em questão na dificuldade de escolha é muito mais "o que se precisa deixar para trás" do que "o que se deseja levar em frente". Sempre há perdas em um processo de escolha: "perde-se aqui, para poder ganhar ali". E como em toda perda, seja material ou emocional, há o que se denomina "vivência do luto". Trata-se de elaborar a perda sofrida, para que seja possível deixar para trás o que se perdeu e seguir em frente. Sem a elaboração do luto pelo não-escolhido, pode-se ficar preso na indecisão, na imobilidade, sem conseguir "sair do lugar", configurando um impasse no processo de escolha profissional.
Condições facilitadoras da escolha profissional
Se o caminho para efetuar a escolha é tão complexo, se há tantas variáveis interferindo e até mesmo provocando conflitos e dificuldades, haveria como contrapartida condições facilitadoras para a realização da escolha profissional? Sim, é claro que há condições facilitadoras. São como os alicerces para a construção de seu projeto profissional, a saber:
* AUTO-CONHECIMENTO
Saber “quem você é” para saber “quem você quer ser”. Significa entrar em contato com seus valores, seus interesses, suas potencialidades, dificuldades e limites. Ampliar a auto-percepção abrindo caminho para discriminar o seu desejo.* INFORMAÇÃO PROFISSIONAL
Para saber “quem se quer ser” é preciso saber “o que há para ser”. Há diversas fontes de informação, tais como guias de profissões vendidos em bancas de jornal, internet, universidades, etc. Pesquise, converse com profissionais, visite universidades e campos de atuação profissional. A informação é fundamental, inclusive, para corrigir distorções acerca do seu conceito sobre as profissões, confrontando dados de realidade e construindo conhecimento.
* EQUILÍBRIO EMOCIONAL
É fundamental para conseguir olhar para si e se enxergar. Perceber quem você é – articulando seu autoconhecimento com as informações profissionais e os dados de realidade. Equilíbrio emocional possibilita bancar uma escolha, aceitar arriscar-se e apostar no seu futuro.
* AUTO-ESTIMA
Acreditar em si mesmo, acreditar na sua competência, acreditar em sua capacidade de se perceber e de efetuar uma escolha. Apostar no seu desejo. Escolher é um ato de coragem e a auto-estima é como a força que sustenta essa coragem.
Realizar escolhas não é tarefa fácil. Mesmo quando uma escolha parece simples e corriqueira, ainda assim o processo é complexo. Porque escolher significa abrir mão de uma série de outras possibilidades não escolhidas; escolher implica na elaboração de um luto. Com uma escolha tão relevante quanto a escolha profissional também é assim - quando optamos por seguir em determinada direção deixamos de lado todas as outras opções que poderiam se abrir diante de nós. É um ganho que sempre envolve perdas. Isto é inevitável. Não é à toa que realizar escolhas seja fonte de conflitos em maior ou menor intensidade. Mobilizado por estes conflitos torna-se ainda mais difícil discriminar para que lado seguir frente a um caminho no qual se descortinam várias possibilidades. O que fazer para não se aprisionar neste impasse? Antes de tudo, compreender a dinâmica envolvida na tomada de decisão. Perceber que o conflito é inerente ao processo, lançando luz a este terreno que pode parecer tão obscuro. Atingir tal compreensão pressupõe refletir sobre alguns aspectos que permeiam o processo de escolha profissional: o que significa fazer uma escolha? Quais os fatores que influenciam a tomada de decisão profissional? Quais as crenças e pré-conceitos envolvidos nesta escolha? Quais os temores e ansiedades que provoca? Quais são as variáveis que podem interferir neste dinâmico processo? A estas perguntas e reflexões somam-se, ainda, outras: quem sou eu? O que eu quero vir a ser? Quais são meus limites e potencialidades? Para onde aponta meu desejo? O seu autoconhecimento, aliado ao conhecimento da realidade sócio-profissional, configura-se o terreno fértil para um processo de tomada de decisão consciente e responsável.
Compreendendo a Escolha Profissional
A escolha profissional é um processo dinâmico em permanente construção, atravessado por conflitos, lutos, ansiedades e angústias, influenciado por diversos fatores internos e externos. Compreender esta complexa dinâmica poderá ajudá-lo a lidar melhor com os eventuais impasses, dúvidas e indecisões.
Como influências (que podem vir a configurar fontes de conflito) destacam-se: os pais, a família de um modo geral, os amigos e o grupo social, o meio sócio-cultural, os processos psíquicos inconscientes, os preconceitos com relação às profissões e suas distorções cognitivas. Há ainda crenças e mitos que dificultam a escolha profissional. Por exemplo, acreditar que a escolha é definitiva e para sempre gera angústia. Mas como pensar na tomada de escolha profissional como uma decisão finalizada em si mesma se nossa personalidade é dinâmica, se nossas preferências e competências mudam de acordo com nossas experiências, se a cada momento da vida podemos perceber que há outras escolhas melhores e mais satisfatórias? Se nós mudamos, por que nossas escolhas não poderiam acompanhar estas mudanças? Ao pensar que a escolha é definitiva, a ansiedade de escolha toma proporções que podem até mesmo imobilizá-lo. O medo de errar na escolha fundamenta-se na fantasia de que exista “a escolha certa”, sendo todas as outras “escolhas erradas”. Na verdade, o que há são possibilidades de escolha – e uma tomada de decisão envolve o conseqüente luto pelas outras possibilidades deixadas de lado.
Outro medo que surge ante a perspectiva de efetuar uma escolha profissional é o medo de não ser capaz de sustentar a escolha e/ou de não ser competente profissionalmente – ansiedade agravada pelas inseguranças próprias de cada um e pelo desconhecido de um mundo novo que se descortina a partir de uma tomada de decisão. É preciso compreender que escolher é um ato de coragem, é uma aposta cujo resultado só se saberá a posteriori.
O que é Escolha Profissional?
Quando pensamos no conflito de escolha profissional, a primeira idéia que nos vem à cabeça é a de um indivíduo – geralmente um adolescente – em dúvida quanto ao vestibular. No entanto, o conflito em escolher uma profissão não é privilégio de quem deseja ingressar em uma faculdade. Durante toda a vida estamos fazendo escolhas. Uma escolha não se encerra em um único momento. É como se estivéssemos sempre nos questionando, abrindo a possibilidade de reafirmar a escolha anterior ou de transformá-la, mudando um pouco nosso caminho. Ou, ainda, abandoná-la de vez em busca de novas possibilidades. E será assim por toda a vida! Em cada etapa da vida este processo será atravessado por particularidades e questionamentos específicos - na vivência do vestibular, na escolha de pós-graduação, na definição de campos de atuação, no direcionamento de carreira, na preparação para aposentadoria,... E as dificuldades vivenciadas muitas vezes podem levá-lo a escolher impulsivamente, a deixar-se influenciar pelas opiniões e desejos de outras pessoas ao seu redor, a abrir mão daquilo que realmente importa para você, etc. São tantas dúvidas, pressões, incertezas...
O que fazer diante disso?
Decidir impulsivamente, "atirar em qualquer direção", deixar de lado seus desejos são armadilhas que resolvem o conflito momentaneamente e apenas de forma ilusória, podendo trazer conseqüências futuras.
Como solucionar efetivamente o impasse? Elaborando seus conflitos e efetuando uma escolha autêntica.
Mas... O que significa isso? O que seria efetuar uma escolha autêntica?
Escolha é uma tomada de consciência.Uma aposta no seu desejo.Um ato de coragem.É discriminar e sustentar um desejo.Comprometer-se com as perguntas: "O que, de fato, eu quero?""O que estou disposto a perder?"É afirmar esse querer: eis o ponto de partida para o seu projeto profissional!
A escolha profissional é um processo
Como acontece a escolha profissional, esta escolha autêntica? Isto não se dá de repente, de um momento pra outro. A escolha não surge, um belo dia, como mágica. A escolha profissional é um processo em permanente construção e se inicia na infância. Desde cedo pensamos no que queremos "ser quando crescer". Isto não ocorre por acaso.
O próprio processo de construção da personalidade e da identidade efetua-se junto ao desenvolvimento vocacional.
E como seria este caminhar que nos leva em direção a uma escolha autêntica, esta escolha que corresponda ao nosso desejo?
Chegamos ao mundo trazendo conosco uma bagagem genética, hereditária, que podemos chamar de APTIDÕES INATAS. Nesta etapa as aptidões são apenas potencialmente habilidades que podem vir a ser desenvolvidas, se houver um contexto favorável a isso.
(1) No desenvolvimento da personalidade vamos nos diferenciando dos outros, nos percebendo como seres únicos e singulares, com características próprias. Isto significa construir nossa IDENTIDADE, elaborando respostas para a questão "quem sou eu?".
(2) Neste caminho, vamos desenvolvendo aptidões através da aprendizagem, delineando nossas competências, respondendo às questões "o que posso fazer?", "sou bom em quê?". Além das novas APTIDÕES APRENDIDAS, esta etapa inclui também o desenvolvimento das tais APTIDÕES INATAS, desde que sejam devidamente estimuladas.
(3) Na busca pela independência, ainda construindo nossa identidade, entram em cena os questionamentos acerca de nossos VALORES, ASPIRAÇÕES e INTERESSES. "O que eu quero da vida?", "de que eu gosto?" são as questões a serem respondidas nesta etapa.
(4) Este caminho culmina no comprometimento profissional, que corresponde à busca de satisfação através do delinear de um PROJETO PROFISSIONAL.
Parte-se do "quem sou eu" para chegar ao "quem serei eu", ou seja, "o que quero vir a ser". Este é o retrato de um "caminho ideal", culminando neste comprometimento naturalmente marcado por escolhas autênticas, conscientes e determinadas. Exposto dessa maneira parece até fácil e simples se engajar em um projeto profissional. E seria simples se a realidade não abrangesse uma série de outros fatores, como as influências internas e externas, as perdas, as crenças instituídas, os temores e ansiedades que incidem permanentemente sobre esse caminho podendo gerar conflitos e dificuldades de escolha. Em todo caso, o principal aqui é ressaltar que a escolha profissional é um processo complexo que se inicia na infância. Portanto, se uma escolha se efetua, culminando no engajamento em um projeto profissional, houve todo um processo anterior, toda uma história de vida e uma construção de identidade que antecederam a esta escolha. As escolhas são sempre resultado deste caminho!
Aos Vestibulandos
Você já sabe o que quer fazer no vestibular? Ou tem dúvidas, incertezas e não consegue se decidir? Sente-se inseguro quanto ao rumo que deseja dar à sua vida profissional? Se este é o seu caso, e você tiver dificuldades em solucionar sozinho suas indefinições, pode ser proveitoso que busque um serviço de Orientação Vocacional. Algumas pessoas atravessam estas dúvidas e conflitos sem necessidade de ajuda especializada – conversando com pessoas próximas e buscando informação profissional. Outras, no entanto, preferem buscar um processo de Orientação Vocacional para refletir sobre suas incertezas, promover um maior autoconhecimento, descobrir suas habilidades, aptidões, valores e interesses, traçando, assim, um projeto profissional consistente e fundamentado.
Provavelmente você deve conhecer outras pessoas que também estão atravessando este mesmo momento: a necessidade de escolha de um curso universitário. Algumas delas provavelmente já se decidiram. Você conhece muitas pessoas que já sabem, com certeza, o que fazer no vestibular? E destas pessoas, quantas escolheram apenas uma profissão? Porque se alguém tem certeza de que quer fazer Biologia, Comunicação e Engenharia Elétrica, isso não resolve muita coisa... Isso não é uma escolha – ainda.
Freqüentemente o problema se resolve da seguinte maneira: inscrevendo-se no vestibular de algumas universidades e para várias carreiras, basta esperar o resultado – aquele em que passar será o curso a seguir. Simples, não? Nem tanto... E se for aprovado em todas as opções? O conflito continua... Pode até ser que a estratégia “dê certo” sendo aprovado apenas em uma das opções. No entanto, o conflito apenas supostamente se resolveu. Por um lado, o que não foi escolhido fica automaticamente decidido. Por outro lado, abre-se mão do privilégio de ser responsável pelo que quer e pelo que faz da sua vida.
Cedo ou tarde todos precisam aprender a ser responsáveis por si mesmos e por suas próprias escolhas – o quanto antes melhor; os efeitos serão positivos. Do contrário, acaba passando no vestibular para Comunicação e um tempo depois descobre que o que realmente queria era Biologia... Por que não cuidar de suas escolhas agora, ao invés de não se responsabilizar, sofrendo as conseqüências depois?
Refletindo sobre a escolha profissional
Se você está em dúvida quanto ao curso que deseja seguir, sem saber o que fazer de sua vida profissional, saiba que você não está sozinho. Há dados estatísticos que mostram que só 5% dos vestibulandos sabem com certeza o que querem fazer no momento do vestibular. Como se isso não bastasse, 40% dos universitários abandonam seus cursos ainda no primeiro ano de faculdade. Estudos mostram que um dos motivos é a insatisfação com a escolha realizada. Estes números são preocupantes. Por que será esta a realidade encontrada? Por que estes números? Vamos esclarecer estas questões aos poucos...
Antes, reflita sobre as algumas perguntas...
1-Você já teve receio de que seus pais ou amigos não aprovem a sua escolha?2-Você já teve medo de não conseguir escolher uma profissão?3-Você já sentiu que é muito cedo para fazer uma escolha que "será para a vida toda"?4-Você já ouviu frases como "não escolha esta profissão, isto não dá dinheiro!" ou "escolha aquela profissão, pois é profissão do futuro!"?5-Você já sentiu que gosta de tantas coisas que torna-se difícil optar por uma apenas?6-Você tem dificuldade em imaginar o que estará fazendo daqui a dez anos?
Você respondeu "sim" a algumas destas perguntas? Pois você já pode começar a perceber uma pequena amostra das dificuldades que incidem sobre a complexa tarefa de definir um projeto profissional. Nestas 6 perguntas já temos alguns exemplos de preconceitos, pressões, influências que interferem nas escolhas – e que acabam gerando diversos conflitos.
Para saber mais sobre os fatores que influenciam a tomada de decisão e ampliar sua compreensão sobre este dinâmico processo continue navegando pelos outros links deste site.
Influências no processo de Escolha Profissional
Quais seriam as influências a que estamos submetidos ao efetuar uma escolha profissional? Algumas advêm do meio externo, outras são mobilizadas por processos psíquicos internos. Ambas são inerentes ao processo de escolha e podem ou não configurar fontes de conflito. Devem, portanto, ser levadas em consideração, já que podem acarretar dificuldades e até mesmo impasses na realização de uma escolha autêntica, de uma escolha que seja fruto do seu próprio desejo. Conheça agora algumas das principais influências no processo de escolha profissional:
* OS PAIS E A FAMÍLIA
Intensas pressões podem vir da família, tanto para que se escolha uma determinada profissão, quanto para que não se escolha outra. As expectativas, os valores e os projetos familiares, por mais bem intencionados que sejam, são como "marcas de um desejo do outro", que incidem sobre nós e influenciam nossas escolhas – explícita ou implicitamente. Muitas vezes, sem nem perceber, nos identificamos com estes desejos, nos misturando e nos embaralhando com eles. Com isso, perdemos um pouco a capacidade de nos diferenciarmos destes "desejos do outro". Discriminar "o que querem de mim" de "o que eu quero para mim" é o caminho a ser buscado. Qual é, de fato, o seu desejo?
* OS AMIGOS E O GRUPO SOCIAL
As pressões do grupo social ao qual fazemos parte também exercem forte influência. Do mesmo modo como ocorre com a família, muitas vezes nos misturamos com o desejo de nossos amigos – o que é natural, pois na constituição de qualquer grupo, o que o mantém unido é um certo sentimento de identidade que muitas vezes pode se confundir com a identidade profissional dos membros do grupo. O receio de não ser aceito pelo grupo em função de uma determinada escolha também pode interferir no processo. Deixar-se levar por esta influência – muitas vezes sem nem se dar conta disso – pode ocasionar conflitos e prejudicar a realização de uma escolha autêntica.* O MEIO SÓCIO-CULTURAL
Também sofremos pressões em função do meio sócio-cultural no qual estamos inseridos. O sistema de valores sócio-cultural dita regras implícitas e explicitas quanto a quais profissões são consideradas fonte de status social e quais são vistas com preconceito. Além disso, é este contexto que determina, em grande medida, o tipo de informação que recebemos – o que vai influenciar fortemente as escolhas realizadas. Isto porque as escolhas se efetuam dentro de um universo minimamente conhecido e, portanto, determinado pelo meio sócio-cultural. Não se escolhe aquilo a que não se teve acesso, que não se sabe que existe. Outra questão relevante como influência direta na escolha profissional são os estímulos que nos levam a desenvolver determinadas aptidões e habilidades, bem como a desenvolver interesse por determinadas áreas. Estes estímulos também são determinados pelo meio em que nos encontramos.* A DINÂMICA DOS PROCESSOS INCONSCIENTES
Ao considerar o inconsciente, leva-se em conta que uma escolha, qualquer que seja esta escolha, não é arbitrária. Há algo de uma "determinação" inconsciente, própria dos processos psíquicos de cada um. Isto se relaciona, inclusive, com os itens anteriores (a família, os pais, os amigos, o grupo social, a cultura) que exercem sua influência também através dos processos inconscientes. Segundo Sigmund Freud, maturidade seria a capacidade de amar e trabalhar. O tema da escolha profissional, para a psicanálise, está atravessado por diversos mecanismos inconscientes como atitudes defensivas e escolhas sintomáticas. Portanto, haja ou não conflito de escolha, estes processos nos atravessam sem que percebamos – até porque são dinâmicas inconscientes. Havendo necessidade, o psicólogo é o profissional capacitado para diagnosticar a atuação de mecanismos inconscientes na origem de suas dificuldades e poderá ajudá-lo a elaborar e a criar novas formas de relação com o conflito da escolha.
Isso significa elucidar os "pontos cegos" nesta dinâmica dos processos inconscientes como forma de possibilitar novos arranjos psíquicos que abram caminho para a realização de uma escolha profissional. Muitas vezes um processo de orientação vocacional é suficiente para proporcionar mudanças na dinâmica psíquica; outras vezes pode ser recomendada a realização de uma psicoterapia. Um psicólogo poderá orientá-lo quanto a isso, se for o caso.
* OS PRECONCEITOS COM RELAÇÃO ÀS PROFISSÕES
Alguns preconceitos se relacionam com crenças instituídas acerca da realidade sócio-profissional como: "tal profissão não dá dinheiro", "não há mercado para aquela profissão", etc. Há ainda outras formas de preconceito, como os relacionados ao gênero feminino ou masculino: "essa profissão é para mulheres; sou homem, não posso fazer isso" ou "não existem mulheres nesta atividade, não vou conseguir me inserir". Trata-se, portanto, de estereótipos, de "pré-conceitos" sobre atividades e profissões. É preciso ter cuidado para não abrir mão de seus desejos em virtude destas influências. Manter o senso crítico e estar sempre atento são bons caminhos para não se deixar influenciar por estereótipos. A cada vez que você notar que já possui juízo formado sobre uma atividade ou profissão, pergunte-se: "minha percepção fundamenta-se em uma análise criteriosa e na construção de uma imagem correspondente à realidade desta profissão, ou estou tomando como verdade um mero estereótipo?"
* O LUTO PELO QUE NÃO FOI ESCOLHIDO
Escolher uma profissão, significar não escolher todas as outras. Muitas vezes o que está em questão na dificuldade de escolha é muito mais "o que se precisa deixar para trás" do que "o que se deseja levar em frente". Sempre há perdas em um processo de escolha: "perde-se aqui, para poder ganhar ali". E como em toda perda, seja material ou emocional, há o que se denomina "vivência do luto". Trata-se de elaborar a perda sofrida, para que seja possível deixar para trás o que se perdeu e seguir em frente. Sem a elaboração do luto pelo não-escolhido, pode-se ficar preso na indecisão, na imobilidade, sem conseguir "sair do lugar", configurando um impasse no processo de escolha profissional.
Condições facilitadoras da escolha profissional
Se o caminho para efetuar a escolha é tão complexo, se há tantas variáveis interferindo e até mesmo provocando conflitos e dificuldades, haveria como contrapartida condições facilitadoras para a realização da escolha profissional? Sim, é claro que há condições facilitadoras. São como os alicerces para a construção de seu projeto profissional, a saber:
* AUTO-CONHECIMENTO
Saber “quem você é” para saber “quem você quer ser”. Significa entrar em contato com seus valores, seus interesses, suas potencialidades, dificuldades e limites. Ampliar a auto-percepção abrindo caminho para discriminar o seu desejo.* INFORMAÇÃO PROFISSIONAL
Para saber “quem se quer ser” é preciso saber “o que há para ser”. Há diversas fontes de informação, tais como guias de profissões vendidos em bancas de jornal, internet, universidades, etc. Pesquise, converse com profissionais, visite universidades e campos de atuação profissional. A informação é fundamental, inclusive, para corrigir distorções acerca do seu conceito sobre as profissões, confrontando dados de realidade e construindo conhecimento.
* EQUILÍBRIO EMOCIONAL
É fundamental para conseguir olhar para si e se enxergar. Perceber quem você é – articulando seu autoconhecimento com as informações profissionais e os dados de realidade. Equilíbrio emocional possibilita bancar uma escolha, aceitar arriscar-se e apostar no seu futuro.
* AUTO-ESTIMA
Acreditar em si mesmo, acreditar na sua competência, acreditar em sua capacidade de se perceber e de efetuar uma escolha. Apostar no seu desejo. Escolher é um ato de coragem e a auto-estima é como a força que sustenta essa coragem.
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